quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para acusação, pedido de perdão de Lindemberg foi manobra

O advogado e assistente de acusação José Beraldo, que representa a família de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos em outubro de 2008, disse que o pedido de perdão do réu, Lindemberg Alves Fernandes, "não convenceu" e foi uma manobra.
"Esse pedido de perdão para a família foi uma tentativa de demonstrar um arrependimento nesse sentido. Mas os jurados já tomaram uma decisão, eu penso que eles já sabem o que devem fazer", disse.
O pedido de desculpas aconteceu no início do depoimento de Lindemberg. "Eu vim para contar a verdade, porque eu tenho uma dívida muito grande com a família dela. Eu queria pedir perdão em público, porque eu entendo a dor da Dona Tina (em referência a Ana Cristina, mãe de Eloá). Eu queria pedir perdão pra ela por tudo o que aconteceu", disse.
"Ele enganou a todos, mas nós mostramos que ele não foi verdadeiro", afirmou Beraldo. O advogado disse ainda que, em diversos momentos, Lindemberg "caiu em contradição".
Lindemberg falou por quase de seis horas, durante o terceiro dia do julgamento, que começou na última segunda-feira e deve terminar amanhã. Ao todo, 14 testemunhas foram ouvidas nesses três dias. A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, e os irmãos da vítima, Douglas e Ronickson, assistiram da plateia todo o depoimento.
A mãe de Eloá, porém, deixou o fórum sem falar com a imprensa.
O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.
Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.
Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

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