domingo, 8 de abril de 2012

Pai conta drama de resgate de filho e mulher após temporal em Teresópolis


Família foi surpreendida por barreira quando procurava abrigo.

Do G1 RJ, em Teresópolis

Este domingo de Páscoa (8) promete ser ainda mais especial para a família do menino Guilherme, de 7 anos. Ele e a mãe, a dona de casa Cássia Angélica de Oliveira, de 32 anos, acreditam que nasceram de novo, após conseguirem sobreviver ao soterramento provocado por um deslizamento de terra, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Mãe e filho ficaram sob lama e carros retorcidos durante o temporal que atingiu a cidade, nesta sexta-feira (6). A tempestade matou cinco pessoas e deixou quase mil desabrigados.

Durante o resgate, Guilherme fraturou o fêmur e a clavícula. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas de Teresópolis, onde foi submetido a uma cirurgia para a colocação de pinos. De acordo com a família, a expectativa é que ele receba alta nesta segunda-feira (9).

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Antes de visitá-lo, Cássia preparou uma caixa de chocolates para o filho. “Temos que comemorar todos os dias por estarmos vivos, foi um milagre”, conta a mãe.

O pai do menino e marido de Cássia, o comerciante Murilo Bragança Júnior, foi quem fez os resgates. “Quando vi o monte de terra e os carros por cima, acreditei que eles tivessem morrido. Aí comecei a gritar os nomes dos dois e apenas a Cássia me respondia. Ela disse que o Guilherme estava do lado dela, de mãos dadas, comecei então a cavar por baixo, cavei sem parar, até que consegui retirar o meu filho debaixo dos escombros. Ele estava desacordado, com os olhos arregalados, logo pensei que tivesse morrido. Coloquei ele em cima de um carro estacionado, apertei a barriga dele, e aí ele colocou pra fora a grande quantidade de lixo misturado com terra que tinha engolido”, explica Murilo.

Cássia e Guilherme foram surpreendidos pelo deslizamento, por volta das 21h de sexta, quando passavam próximos ao CIEP Sebastião Mello, no Rosário. Chovia forte e a família optou em sair de casa, no mesmo bairro, para buscar refúgio na casa de um parente.

A terra deslizou e atingiu o ferro-velho, que ficava ao lado da escola. Ao menos cinco carros que estavam estacionados no local ficaram destruídos e retorcidos em meio à lama. Além de Guilherme, Cássia também estava com a filha mais velha, Isabela, de 9 anos, e de uma sobrinha. O marido Murilo Júnior acompanhou a família no trajeto, mas pouco antes de chegar ao CIEP, ele retornou para tentar encontrar o chinelo que havia perdido no caminho.

“Foi um milagre em todos os sentidos. Se o Júnior estivesse com a gente no momento da queda, ele também seria soterrado e não teria ninguém para nos salvar”, comentou Cássia.

A dona de casa explica que, no deslizamento, a filha Isabela e a sobrinha foram empurradas para o outro lado da rua e ficaram com metade do corpo soterrado. Após os resgates, Cássia e o filho Guilherme foram levados por vizinhos para um hospital próximo.

“A rua ficou cheia de barro, não dava para nenhum carro passar, então os vizinhos transportaram eu e meu filho nos braços e nos levaram para um hospital, que não tinha muitos recursos para nos atender. Sorte que quando chegamos lá, uma ambulância levou a gente para um outro hospital, que tinha leito para internação”, disse Cássia.

Desde sexta-feira, a família passa a maior parte dos dias no hospital acompanhando a recuperação de Guilherme “Me emocionei muito, quando soube que ele contou para os médicos, que eu era um herói, porque salvei ele e a mãe dele”, falo Murilo Júnior, acrescentando que o filho sonha em se tornar policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) . “Pelo menos, ele já demonstrou que tem muita força para resistir”, falou o pai.
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