sábado, 7 de abril de 2012

Você é bonitinha, mas vai morrer”, relembra estudante baleada por atirador de Realengo


Carlyle Jr. e Evelyn Moraes
 “Você é bonitinha, mas você vai morrer”. As palavras do atirador Wellington Menezes de Oliveira jamais serão esquecidas pela menina Thayane Tavares, 14 anos, baleada há um ano, no Massacre de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. O elogio seguido da sentença de morte seria o começo das transformações que a adolescente viveria a partir da manhã daquele dia 7 de abril de 2011.
— Eu lembro nitidamente do rosto dele, da roupa que ele estava vestindo e do que ele falou. Ele disse que eu era bonitinha e que eu ia morrer. Ele só falou para algumas e atirou.
Aluna do 9º ano (antiga 8ª série), Thayane Tavares, 14 anos, depende de uma cadeira de rodas para ir até o colégio. Após o massacre, o sonho de ser atleta teve que ser adiado.
A menina perdeu os movimentos das duas pernas depois de ser atingida por quatro tiros disparados por Wellington. Thayane já mexe a perna esquerda, mas ainda precisa de três sessões de fisioterapia por semana. Ela sonha voltar a andar e quer um tratamento fora do Brasil.
— Eu perdi o ânimo de fazer fisioterapia. Está chato. Só estou repetindo os movimentos, não tem mais exercício certo para eu fazer. Acho que o tratamento está muito lento. Quero um tratamento melhor do que este. Aqui não tem o que eu quero.
Sem adaptações
A casa de Thayane recebeu apenas uma adaptação para cadeirantes. No banheiro, um corrimão de metal foi instalado para que a menina pudesse usar o vaso sanitário. No entanto, as outras adaptações ainda não chegaram. Para levar a menina até o quarto, que fica no segundo andar do imóvel, Andreia é obrigada a carregá-la em seus braços.
— Adaptaram a minha casa para cadeirante com escada? Eu tenho que subir e descer com ela nas costas. Tem espaço para colocar um elevador, mas como vai ficar a manutenção depois de instalado?
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